a subida que interminável

a subida que interminável

Seis poemas inéditos de Jeanne Callegari

alicate

sobre o que se pode cortar. pele que se derretida em brancos e azuis, que coisa é o vermelho, uma cor tão escolhida. preferencialmente sem escalavrar grandes granduras, o mar é raso, o tesouro sutil rutilado, trabalho a liquefazer antes que o sol –

na boca apodrecem, fora da mão apodrecem, endurecem, metal guarda os portões, mais que guarda, garante, mais que garante, decide. é de cuidar, não jeito, não força, milênios delicada e todas aquelas fomes no deserto, todas as fogueiras e vigias, para aqui. cutículas e um guindaste, um teto, tudo isso e tanto –

 

*

 

tábua escriva

sangue retângulo algumas linhas e pés. manchas pretas, o menor modelo, superiorando o laranja em couro, em burros. finos de poemas, não em pé, antigas uma, duas, três, uma quatro de quase cem dozes. teto preto sobre rosa, deserto branco de dentro. carpiderias no cinza, no sal, listras e marinhos. azul, ó, resistores. teia em luna, noturna e pantera e guindaste. compridos fazem ligar a coisa branca à coisona, turva toda. embaixo bispa e uma boca triste, bola vermelha madrigal, essas coisas de sangue nos lados e em cima, topo lunar. clown e tolos, caio. cores e retangulinos. amarelo e azul constitucional. amuletos de falsa, um que outro, de envolver. as contas já, e a caixinha vermelha com as teras todas. mais comprida e é preta e menor, outra pretura e menor, uma não, dois morritos pontudos irmãos, e as bolas. também, laminado azul, doce que quadrados brancos ajuntarem, amarelo e preto linolando preto, quatro linhas brancas e mais tantas, ligadas pontos e fechadas. um rato lógico; pretuinza; evoé –

 

*

 

turbinas de algodão

em que pese serem várias e desviadas, domésticas não e definidas: voam sim dentro, vestígios vislumbres e vários, vestígios e que maçada, vínculo vácuo. envasam-se as veias e o visto, ave improvável. viaja só, no travesseiro.

 

*

 

trepadeira

antiga a duras penas. como que engasga, tropeça. eleva o trecho, espiralam sons, dna na lisa ininterrupta. fuligem o que sai nos ares, fuligem o surdo e ritmado, arredondado, metal esfarelado no ar, plúmbeo arco-íris monocromo, duotom. nove dedos massageiam o engasgado, a subida que interminável. na garganta, nos olhos, um peixe que se afoga, a falta de que nunca –

 

*

 

ferrugem

a guirlanda no pescoço do pássaro, o girassol cromado em sacrifício. guitarra, dobradiça embriagada. um ramalhete, um alheiro, um micróbio. um bracelete, cidreira, um acrílico. a brevidade do barril edredom. o assobio cromado na acrópole, mangueira a quatrocentos, heroína hesitante no hospício. uma harpa, uma hélice, uma várzea. em caracol, como um beque no drible, nem capaz de tanta –

 

*

 

manjar

escapa, aos íons escapa, às substâncias. um metal conjectura um sacrifício, rogai por todos de quem a água foge, sequiosos. alguém pode sentar-se, um sofá e seu tubérculo, veemente suave nos poros o casulo. perturbar de silva e bragança, contanto o tamanho e também não, uma irrealizável em adornos, aparelho com que tantas vezes, sem tamanho, e não –


Os poemas acima foram extraídos de Botões (Corsário-Satã, 2018), que será lançado em São Paulo em agosto.

Jeanne Callegari

Nasceu em Uberaba (MG) em 1981. Escreveu Caio Fernando Abreu: Inventário de um Escritor Irremediável (Seoman, 2008), biografia do autor gaúcho, e os livros de poemas Miolos Frescos (Patuá, 2015) e Botões (Corsário-Satã, 2018). Tem textos publicados nas antologias Primeiras vozes (Quelônio, 2018), Golpe: antologia-manifesto (Nosotros, 2017), Sierra Tropicália: poesía contemporánea de Brasil e México (Cielo Aberto, 2016) e É que os Hussardos chegam hoje (Patuá, 2014). Com Raul Costa Duarte, tem o projeto poético-sonoro Botões, que sobrepõe palavra a ruídos e paisagens sonoras; com Maíra Mendes Galvão, forma o duo Pingues Ovelhas, de pesquisa em poesia, performance e tradução. Junto a Reuben da Rocha, organiza o Macrofonia!, noite mensal de poesia intermídia ao vivo em São Paulo.

13 de agosto, 2018. Volume: 3. Seção: Poesia. Index: Jeanne Callegari. Publicação: Lucas R. Gaspar. Revisão: Luan Maitan. Fotografia da autora: Liliane Callegari.


[quem vai embora]

[quem vai embora]

E outros poemas de André Oviedo

a primeira letra do seu nome
é a segunda do meu
e a terceira coincide entre ambos
era ali que nos encontrávamos
como no terceiro degrau de uma pequena escada
das que se usam para trocar uma lâmpada
aguar as plantas penduradas no teto
ou guardar as compras nos armários mais altos
e então descobrir com alguma surpresa
aquela geleia deliciosa
que não sabíamos onde tinha ido parar

*

penso no que já não está aqui
muito mais demoradamente
do que quando estava
como se a ausência
pregasse no tempo a coisa perdida
e tornasse possível observar
tudo se apurando
à medida em que se afasta
numa espécie de quadro movediço

*

 Alguma coisa acontece em uma região de mim da qual estou ausente
Paul Valéry

me surpreendo
quando em mim acontece algo
justamente em um ponto
para onde eu não estava olhando
uma área até então desconhecida
ou muito pouco habitada
é como se o que acontece
quisesse acontecer em paz
quisesse justamente me surpreender
então me surpreendo
e durante um breve momento
nos olhamos com certa expressão
de dever cumprido

*

quem vai embora
se parece muito pouco consigo mesmo
enquanto estava aqui
os olhos aparentam estar mais fechados
como se ventasse muito
as mãos descobrem uma vocação
infalível para o aceno
o jeito de andar revela
um passo rápido antes desconhecido
aos poucos as semelhanças
vão se abreviando
feito um grande nome
que mais precisa caber num documento
do que nomear o sujeito
no final fica talvez
apenas um ingresso de show
esquecido num bolso
ou o trem
que não alcançamos aquele dia

*

Joan Brossa
deixava as cartas urgentes
para amanhã
pois seriam mais urgentes ainda
o que ele esqueceu
é que as cartas mais urgentes
são as que nunca chegaram


André Oviedo

é de São Paulo e nasceu em 1989. É autor de Formol (selo doburro, 2014), corpo do poema (independente, 2017) e do zine Meditations over distance (independente, 2018).

24 de junho, 2018. Volume: 2. Seção: Poesia. Index: André Oviedo, Paul ValéryPublicação: Lucas R. Gaspar. Revisão: Luan MaitanImagem de capa: Ballygunge Station, de Rohit Munshi. 


nada ter nas mãos

nada ter nas mãos

5 poemas inéditos de Matheus Guménin Barreto

o sexo
devir perpétuo: tempo enclausurado
o amado e seu amado inventam o tempo,
o corpo e a febre
e o que medi-los

 

*

 

arder a vida em palavras

medidas sombra por
sombra
duma mão noutra arder a vida
na geografia incerta da boca

que arde um instante e desce à terra.

arder a vida nos ecos

e nos corpos ora nacarados ora suados do
discurso que o lábio promete
nem sempre cumpre
e quando cumpre é sempre quase.

equidistante do fim e do início arder a vida

enquanto o corpo se desfaz devagar
com carinho quase
mas resoluto.

arder do verbo absoluto à procura

o verbo na sarça que se queima magnífico
e não existe.

arder a vida pruma bosta qualquer

que mal nasce já nem existe.

– arder a vida à procura dum sol pousado na mesa
dum dia de justiça entre irmãos
e descer à terra ciente – mas contente, resoluto –
de nada ter nas mãos.

 

*

 

homem: que coisa será essa
a que servirá ou a quem, computará quem
os beijos que deu e dará e quem os tons
de carmim que já viu aos domingos e quem
os cachorros que lhe lamberam os dedos e quando
e quem computará as madrugadas e o branco que fazem
e quem
os sons que gestou na garganta e não disse e quem
o amor miúdo e bom que reina entre as paredes de um apartamento e quem
dirá a esse homem que tudo
cedo ou tarde
não vai ter existido
na garganta faminta do tempo?

 

*

 

(umbrosos verdes arbustos,
os cães,
farfalhantes os cães em seus campos de preás Baleias todos eles
farfalhante o tempo também, e até
suspenso de sua roda habitual
sobre arbustos,
ausente nos cães sob arbustos, umbrosos cães felizes
e o bicho-homem olha, semiparticipante
provisório e terrivelmente humano, mas
feliz.)

Na chácara com Pedrito, 7-1-2017

 

*

 

abrir a portaedarcomou-
tra porta e darcomoutr-
a e
até não haver mais porta e muro e abrir e mão


Matheus Guménin Barreto

Nasceu em 1992, em Cuiabá, Mato Grosso. Formou-se em Letras Português-Alemão na Universidade de São Paulo (USP), onde agora é mestrando da área de Língua e Literatura Alemãs na subárea de tradução. Suas traduções de Ingeborg Bachmann foram publicadas em Dito ao anoitecer (2017) e na antologia Lira argenta (2017), e suas traduções de Bertolt Brecht no livro Cântico de Orge (2017). Publicou em agosto de 2017 seu livro de poemas A máquina de carregar nadas pela Editora 7Letras. E-mail para contato: matheusgumenin@hotmail.com.

23 de novembro, 2017. Volume: 1Seção: Poesia Index: Matheus Guménin BarretoPublicação: Lucas R. Gaspar. Revisão: Luan MaitanImagem de capa: Mark Rothko


Estudos de Vida

Estudos de Vida

4 poemas de Isabela Benassi

não se pode
forçar a organização
redonda das coisas
que não são
redondas
há quem alise
as quinas das
paredes
para evitar
os machucados
há quem force
a união dos corpos
e a consumação
do sexo mas
é inútil
forçá-los
é inútil

olha
o sol, a barriga
grávida e a moeda
igualmente redondos
de uma mulher
sentada na praça central
ela inclina trinta graus
à esquerda seu rosto
aos moldes da
iconografia cristã
olha
como suas mãos
pendem ao olhar
para o céu
como seus olhos
pedem dinheiro
pelo amor de deus
colocando dentro
de um terço
os cinco mistérios
do rosário que
hão de livrar-nos do fogo do inferno,
hão de levar-nos todos pro céu

certa vez ouvi
que a humanidade
é completamente
redonda
e penso
que agora
é inútil negar
está aqui
bem na nossa frente
no arremesso da esmola
na parábola
que a moeda faz
no ar
olha
como a forma
do desconforto acerta
em dar o mesmo
molde circular
às moedas
ao corpo
ao terço
– à fé:
todos
redondos
todos aqui
tentando não
furar as mãos
e os bolsos
(mas escapando entre os dedos)

 

*

 

escudo

abandona o escudo
abandona a batalha
livra-se

é preciso separar
os que aceitam sujar as mãos
com os problemas do seu tempo
daqueles que oferecem
apenas aos amigos
o escudo do herói
e olhar
os inimigos nos olhos
sozinhos
como quem olha
aquele homem que espera
sentado horas a fio
sair daqui
em uma rua do centro
ele abraça seus próprios joelhos
e dorme
porque talvez ele não possa
olhar
os inimigos nos olhos
como a gente

a dança dos dias
consiste em
vestir ou não
o escudo
sujar ou não
as mãos
(lavá-las
talvez)
mas antes
é preciso assumir
que ninguém
consegue
sujar as mãos
e segurar
um escudo
ao mesmo tempo

 

*

 

à Patti Smith
(com coisas de Ruy Belo)

contigo aprendi coisas tão simples como
suportar lentamente o ritmo do outro
e o peso que afunda nossos joelhos
eu gostaria de lhe dar um lugar marcado
além deste que nos resta
de suportar pesos maiores
que os nossos
eu gostaria de lhe dar um lugar quente
dentro dos meus ossos para que nem eu
nem você
quebremos
com a ruptura do tempo,

mas eu não posso.

 

*

 

life studies

há primeiro que nascer
e escorregar da barriga
ao chão
até que caia

uma barriga capaz de prover mulheres
e alguns rituais de cura
trocando o cortar da cana
pelo esbanjar em riste uma espingarda
– caso necessário.

espadas de são jorge
na porta de casa
e punhados de arrudas
(sente-se o cheiro ao longe)
rasgam as carrancas
na sorte do livramento
de uma memória pobre
que alinha-se agora
à pemba do parapeito,

não há linhagem que
sobreviva aos futuros da infância:
nasce uma criança loira
no meio do mato

— como pode ser tão loira?
como pode
ser daqui?
um corpo tão pequeno e loiro,
há de ter algo errado.

abrem a carne da criança loira
todos os dias
certificam se são ossos
que estão ali
são órgãos mesmo e
se tem sangue.

ela cresce
no sangrar da terra
e segue
em salgar o corpo
(a terra puxa
o que lhe pertence),
não importa, vive sua infância,

traz os agouros de morte à velhice,
pois é isso que um corpo novo faz
com quem está há muito tempo
caindo.


Isabela Benassi

nasceu em São Paulo, no extremo sul da cidade. É formada em Letras e, atualmente, estuda poesia portuguesa e artes plásticas de autoria feminina.

24 de outubro, 2017. Volume: 1Seção: Poesia Index: Isabela BenassiPublicação: Lucas R. Gaspar. Revisão: Luan Maitan


Rota intermediária

Rota intermediária

4 poemas de Bobby Baq

Corresponder
ao mistério
com o canto do nariz
(que é a parte mais anônima
do rosto enquanto
registro
e do ser enquanto domínio).

Corresponder ao mistério
a partir do mínimo.

Corresponder ao mistério
como soa o que trinca no vidro,
com notas sem precisão.

Corresponder ao mistério
mesmo que ele

não.

 

*

 

Pra saber
que entre duas coisas
cabe uma pessoa,

entre três pessoas
talvez caiba
um sentido

e entre um e outro sentido
não fica espaço
pra mais nada:

É preciso
cair
de uma
escada.

 

*

 

Há semelhanças entre os quadrados
e o omitido.

A rota errada
espelhada
na correta.

A correta
espalhada pelo resto
do caminho.

Não estar com um pé em cada,
mas nas duas,
em ambas sozinho.

Através do retrovisor:

A rota intermediária
atravessa quem não veio
e aquele que já passou.

 

*

 

Como se fosse possível
mãos dadas
serem translúcidas,
preenchidas por transparência
se postas
sentido ao Sol.

Como se fosse possível
mãos dadas feito
concha
emprenharem de bicho
inseto
verme, líquen,
caracol.

Como se fosse possível
mãos dadas
de duas pessoas
serem toda de terceiros:

Unha, dedo
osso e pelo.
Linha, toque de precisão.

 

No entanto, parece plausível
que formem outro organismo
dado à falta de abrigo
e com triplo
de visão.


Bobby Baq

É poeta, roteirista e dramaturgo. Autor dos livros Nébula, Suspensivos e Eu findo mundo. Trabalha com o silêncio na palavra escrita e a performatividade na palavra oral. Desenvolveu experimentos cênicos com artistas de outras áreas misturando música, poesia oral e dança, além de spoken words, vídeo-poemas, colagens e algumas oficinas. Acredita na força das coisas que ainda não têm nome e trabalha para pari-las sem batizá-las.

22 de setembro, 2017. Volume: 1. Seção: Poesia Index: Bobby BaqPublicação: Lucas R. Gaspar. Revisão: Luan MaitanImagem de capa: Colagem de Bobby Baq.


eu queria ser uma baleia

eu queria ser uma baleia

E outros poemas de Martina Sohn Fischer

Na cidade
Nem tempestade
Lava o sangue

 

*

 

eu queria ser uma baleia

Pra falar outra língua, que não fosse a nossa
Pra nunca fechar os olhos
Pra deslizar uma vida toda
Pra ser peixe grande no infinito
E pequeno então

até desaparecer
de carcaça e tudo
bem lá no fundo do mar

num adeus silencioso
indecifrável

virar oceano

 

*

 

O dia mais triste

São todos
que ainda levam minha memória de você
para longe
o lugar no tempo onde não há lembrança

o dia mais triste
é este
que cresce numa memória inventada
de nós
jogando cartas nas mãos
eu criança
sabendo de tudo, sobre um mundo todo
que não existe mais

o dia mais triste
é hoje
onde todas as saudades estão
num coração só

 

*

 

flor de cúpula

raízes no vidro, não há terra nem mundo suficientes
caindo para o lado da janela, cresce torta, esperando que o vidro se parta
na força de sua existência, mesmo no mínimo espaço, ela existe para tudo
mais que todos
deito na minha cama, pequena, sendo pequena,
caindo para o lado da janela
buscamos a vida e no fim
admito que a morte não cabe aqui
não mais que minhas pernas e braços
sou inteira de existir
e memória
criando tudo feito raízes

 

*

 

caça

me fiz
olhando a teia que sobe a árvore
grudada nos galhos, começa no tronco
nada me fez
olhando as gotas finas
delicada aranha
prendendo o vento
e asas
eu presa olhando
a árvore toda
caçando

 

*

 

De quatro
Para algo de você
que só toco assim

e algo de mim
que nunca sou

só assim


Martina Sohn Fischer

Cursa psicologia com foco em psicanálise. Teve duas peças encenadas: Casa de inverno, pela Produções Artísticas Artrupe de Manaus, e Aqui, pela companhia de teatro Club Noir de São Paulo, peça também publicada pela editora 7 Letras. Escreveu para o site Caos Descrito e para a revista Jandique, além do livro de poemas Fruto Estranho, pela editora Dybbuk. Mantém também o blog domargo.wordpress.com como lastro de si.

10 de julho, 2017. Volume: 1. Seção: Poesia. Index: Martina Sohn FischerPublicação: Lucas R. Gaspar. Revisão: Luan MaitanImagem de capa: False Start, de Jessica Brilli


[de nossas próprias mãos]

[de nossas próprias mãos]

Cinco poemas de Lucas R. Gaspar

eu
_____é
múltiplo
de nós

 

*

 

quando ninguém
operar as
máquinas

ossatura será
nossa
dimensão
irreconstituível

ossada será
nossa
dimensão
jamais escavável

irremediável
a terra
expor-se
novamente
sem fratura

 

*

 

ao fundo de um
cofre obcecado
os possíveis
implodem-se

este mundo é
acabado
lhe resta a vida
em pleno
aplainamento

não fossem
os mortos
sonhando
a si mesmos
e outros tantos
a fabricar corpos
seria um infortúnio
não um
presságio

 

*

 

acima é o céu aberto é o
ventre avesso, solto
em ossada mambembe.
a rabulejar, a vida cabreira
em encolha mineral

 

*

 

de nossas próprias mãos
uma sumaúma
desd’a raiz à copa
incinerada

a sumaúma
tod’ela foligem
o céu e a terra deixa

sob(e) um manto de cinzas


Lucas R. Gaspar

nasceu em 1991 e é graduando em Letras pela Universidade de São Paulo. Publicou de forma autônoma o livro-objeto cartonero Moscas Volitantes – Contrálbum (Selo Capineira, 2016). Os poemas que aqui constam são todos inéditos.

20 de junho, 2017. Volume: 1Seção: Poesia Index: Lucas R. GasparPublicação e revisão: Luan Maitan