[de nossas próprias mãos]

Cinco poemas de Lucas R. Gaspar

eu
_____é
múltiplo
de nós

 

 

quando ninguém
operar as
máquinas

ossatura será
nossa
dimensão
irreconstituível

ossada será
nossa
dimensão
jamais escavável

irremediável
a terra
expor-se
novamente
sem fratura

 

 

ao fundo de um
cofre obcecado
os possíveis
implodem-se

este mundo é
acabado
lhe resta a vida
em pleno
aplainamento

não fossem
os mortos
sonhando
a si mesmos
e outros tantos
a fabricar corpos
seria um infortúnio
não um
presságio

 

 

acima é o céu aberto é o
ventre avesso, solto
em ossada mambembe.
a rabulejar, a vida cabreira
em encolha mineral

 

 

de nossas próprias mãos
uma sumaúma
desd’a raiz à copa
incinerada

a sumaúma
tod’ela foligem
o céu e a terra deixa

sob(e) um manto de cinzas

20 de junho, 2017
Categoria: Poesia
 Tags: Lucas R. Gaspar

Lucas R. Gaspar nasceu em 1991 e é graduando em Letras pela Universidade de São Paulo. Publicou de forma autônoma o livro-objeto cartonero Moscas Volitantes – Contrálbum (Selo Capineira, 2016). Os poemas que aqui constam são todos inéditos.