La muerte de la muerte

Máximas de César Vallejo

Na verdade, o céu não fica nem longe nem perto da terra. Na verdade, a morte não fica nem perto nem longe da vida. Estamos sempre diante do rio de Heráclito.

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Com o advento do avião e da radiotelegrafia, o sentimento de nostalgia despertado pela distância vai, de certo modo e até nova ordem, enfraquecendo ou desaparecendo. O que não desaparece, com os progressos científicos e industriais, é a nostalgia do tempo.

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Entre as mil ou mais vozes simultâneas de um coro, ouve-se apenas duas delas.

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Não há nada a temer. Não há nada a esperar. Sempre se está mais ou menos vivo. Sempre se está mais ou menos morto.

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A música vem do relógio. A música, como arte, nasceu no momento em que o homem se deu conta, pela primeira vez, da existência do tempo, digo, da marcha das coisas, do movimento universal. Um! Dois! E a escala nasceu.


César Vallejo

Nasceu no Peru, em 1892, e morreu na França, em 1938. É um dos grandes poetas da língua espanhola, e certamente o maior de seu país.

30 de agosto, 2018. Volume: 3. Seção: Tópicos. Index: César Vallejo, Heráclito. Tradução e publicação: Caique Zen.