Olhede novo.

Sobre

O oposto de dormir e de sono é vigília. Esta palavra vem do Latim vigilia, “ato de velar, de prestar atenção”, de vigil, “acordado, cuidando, vigilante”. Origina-se do indo-europeu weg-, “ser forte, ativo”. Esta raiz também originou o Latim velox, “rápido, vivo, veloz”. (Origem da palavra)

Só a literatura permite entrar em contato com o espírito de um morto, da maneira […] até mais profunda do que a conversa com um amigo […] — nunca nos entregamos tão completamente como o fazemos diante de uma página em branco. (Michel Houellebecq, Submissão)

Sentir que a vigília é outro sonho
que sonha não sonhar e que a morte
que teme nossa carne é essa morte
de cada noite, que se chama sonho.
(Jorge Luis Borges, Arte poética)

Acrescenta-se também a relação que pode ser estabelecida com a pintura monocromática, denominada no Japão de sumi-e (respectivamente tinta sumi e desenho, isto é, desenho a sumi). Monocromia significa a presença de todas as cores por meio da ausência: os vários tons, de cinza a preto, aludem à visibilidade da mente, tendo a potência de se transformarem na cor livremente imaginada pelo receptor. Essa eliminação da cor é o que Izutsu Toshihiko chama de “atitude negativa perante a cor”. O autor explica que “a verdadeira profundidade da beleza do preto e do branco é revelada somente para aqueles olhos que são capazes de apreciar os esplendores das cores suntuosas e resplandecentes com todas as suas sombras delicadas e matizes.

Edição

Luan Maitan

Luan Maitan

Editor.

Lucas R. Gaspar

Lucas R. Gaspar

Poeta e curador da seção Poesia.

Caique Zen

Caique Zen

Coeditor.

Natália Zuccala

Natália Zuccala

Contista e dramaturga, curadora da seção Ficções.